De Tudo Se Faz Canção:
poesia e melodia em uma esquina mineira

08 de Fev de 2022

Há um som que vem da história colonial de Minas;

  Que se junta aos cânticos das festas religiosas;

  Que se une aos cantos de trabalho, e aos ruídos do mundo.

                                                                 (Fernando Brant)

A música popular brasileira é um manancial; esculpida em um país que em meio ao caos consegue gerar movimentos musicais e culturais, com caráter universal. Um desses movimentos é o Clube da Esquina. O que nomes como Lô Borges, Márcio Borges, Ronaldo Bastos, Milton Nascimento, Toninho Horta, Beto Guedes, Flávio Venturini, Fernando Brant, Telo Borges, Wagner Tiso, entre outros, tem em comum (além da musicalidade!), é a referência a uma esquina do Bairro Santa Tereza, na cidade de Belo Horizonte, capital mineira.

A autora na famosa esquina (Belo Horizonte, 2021)

 

A singularidade desse movimento vai muito além do timbre divinal da voz de Milton Nascimento (Bituca, para os amigos); das composições de Lô Borges e Márcio Borges (que marcam a história brasileira); da poesia de Fernando Brant; da doçura e beleza presentes nas músicas compostas e cantadas por Flávio Venturini e Beto Guedes; do talento e musicalidade de Toninho Horta e Tavinho. O Clube é o retrato de uma geração que sonhava com liberdade, felicidade e mudança social. Amizade é uma palavra que se integra à sonoridade das canções deste movimento musical. Amizade é o amor que não morre, que consegue sobreviver ao tempo, às vicissitudes da vida, que supera mudanças, diferenças e decepções. Ao chamar o grupo de jovens (que se reunia na esquina entre as ruas Divinópolis e Paraisópolis - de Santa Tereza) de Clube da Esquina, a matriarca dos Borges não imaginava a proporção universal, e o simbolismo que a expressão alcançaria.

 

Nos palcos, e na trilha sonora da vida e dos romances de tantas pessoas, vive o legado deixado por uma geração talentosa: “O Trem Azul”, “Paisagem da Janela”, “Sol de Primavera”, “Travessia”, “Clube da Esquina nº 2”, “Linda Juventude”, “Um Girassol da Cor de seu Cabelo”, “Manuel (O Audaz)”, e minha preferida “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”, etc., estão o coração e a alma musical do Brasil, e de Minas Gerais.

 

Uma das capas do álbum Clube da Esquina (1972)

 

 

Repertório rebelde, engendrado em um lugar icônico da década de 1970, é referência da riqueza cultural latino-americana; capaz de transpor as fronteiras e produzir esperança. Esperança necessária que podemos adaptar de uma das canções, de que nada será como antes (amanhã). O lançamento em 1972, do disco Clube da Esquina, produzido por Lô Borges e Milton Nascimento (Bituca), faz agora 50 anos! Mas seu som, e sonho de liberdade serão sempre eternos. 

                                            

Renata Cristina de Sousa Nascimento*

                                                  (Dos irmãos Nascimento, para os irmãos Borges)

 

*Professora universitária, medievalista e fã do Clube da Esquina.

Emailrenatacristinanasc@gmail.com

 

Referências:

BORGES, Márcio (Org). Clube da Esquina 40 anos. Belo Horizonte: Associação dos Amigos do Clube da Esquina, 2013.

Guia de Belo Horizonte; Roteiro Clube da Esquina. Belo Horizonte: Museu Clube da Esquina, 2011.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

#História #MinasGerais
#ClubedaEsquina #música 
#cultura#mpb

 

whatsapp-logo-1.png

Comentários

Ogro Historiador - Catarse.png

Assine a nossa newsletter e receba o nosso conteúdo na sua caixa de e-mail.