Então é Natal... laico?

Por João Neto

23 de Dez de 2018

Todo ano é a mesma coisa. Diversas são as opiniões publicadas quando chega o Natal. Alguns cristãos criticam o consumismo capitalista e tentam resgatar o sentido espiritual. Para eles, o verdadeiro sentido da festa não é ganhar presentes do Papai Noel, mas celebrar o nascimento de Jesus. Vídeos compartilhados revelam que a verdadeira história do nascimento de Jesus seria uma cópia da história de Hórus, deus do Egito antigo. Pastores pregam que a data de 25 de dezembro era pagã, copiada pela Igreja Católica, pois Jesus nasceu quando era verão no hemisfério norte, entre maio e setembro. Alguns escrevem sobre a origem da lenda do Papai Noel. Outros denunciam o imperialismo, ressaltando que as celebrações são uma imposição de outras culturas. Alguns criticam que o Natal é uma festa cristã, que não cabe aos praticantes de outras religiões. Nos Estados Unidos já chamam de xmas, para não dizer christmas.

 

Independentemente de origem e religião, muitos também entendem a data como forma de reunir a família e perdoar mágoas. Cartões com imagens de anjos são distribuídos. Os evangelhos bíblicos são recitados: Maria conceberá pelo Espírito Santo e dela nascerá o filho de Deus. Os corais das igrejas protestantes realizam as suas apresentações, chamadas de cantatas, e aproveitam para convidar outras pessoas para assistirem e, quem sabe, também fazerem alguns conversos. E perus e outros animais vão para o forno, para as ceias dos abastados, que se tornarão calorias indesejáveis a serem eliminadas no ano seguinte. Então, o que resta escrever sobre o Natal, fugindo do lugar comum? Missão árdua.

 

Como o Ogro é um site de historiadores, talvez a melhor mensagem para registrar aqui seja essa: tudo isso que foi dito acima mostra a circularidade do tempo do calendário. Eventos fundantes. Escolhidos. Criados. Para dar significado. Para que, em algum momento, possamos parar, fazermos uma reflexão, ajustes e recomeçarmos. Vamos celebrar o Natal. Mesmo que seja um "Natal laico", que sirva para diferentes posicionamentos dentro dessa pluralidade. Sem polêmicas. Uma trégua, para apertarmos as mãos, mesmo no tão briguento mundo acadêmico.

 

Lembro que os antigos romanos também faziam isso. Mas o calendário deles era diferente. Começava em Mar-ço [Martius], assim como, em várias línguas, como o Espanhol, a semana tem esse dia, Mar-tes. Uma homenagem ao deus Marte. E o ano terminava em Februarius, nosso fevereiro, em homenagem ao deus Fébruo. Justamente o deus etrusco da purificação, quando eram feitos os rituais de expiação de pecados para novos recomeços. O último mês do ano romano era dedicado ao deus da purificação justamente para preparar os cidadãos para começar um novo ano.

 

Então é isso. Independentemente de tudo que foi discutido acima, uma coisa é certa: toda sociedade precisa de um momento de parar para refletir e recomeçar. Este é o nosso desejo neste texto. Como indivíduos, em cada papel social que desempenhamos, que você repense sua vida e, assim, se possível e se julgar conveniente, se torne uma pessoa melhor, principalmente para quem você julga ser importante para você. Quem sabe até fazer as pazes com seu desafeto de departamento ou orientador? É sonhar muito? Não faz mal. Todos têm sua fé no impossível. Feliz Natal!

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