O capitão chegou...

Por João Neto

06 de Jan de 2019

Jair Bolsonaro é capitão da reserva do Exército e contou com certo apoio dos militares para ser eleito presidente da República em 2018. Isso não é novidade. Desde que voltaram da Guerra do Paraguai (1864-1870), os militares desenvolveram protagonismo político típico do Brasil, isto é, o de serem os guardiões da ordem. Quando o País supostamente desanda, a população não chama o Meirelles. Chama os militares.

 

Em 1889, a República foi proclamada justamente por militares, que seguiam a ideologia positivista. Os dois primeiros presidentes, Deodoro da Fonseca (1827-1892) e Floriano Peixoto (1872-1895), eram marechais. O período, inclusive, ficou conhecido como República da Espada. Mesmo depois de presidentes civis, em 1910 foi eleito Hermes da Fonseca (1855-1923), também marechal. Já em 1930, foram também os militares que depuseram o presidente Washington Luiz (1869-1957) e levaram Getúlio Vargas (1882-1954) à presidência, através do movimento que ficou conhecido como Tenentismo.

 

Foram os militares também que sustentaram os longos anos de ditadura varguista, que chegou ao fim justamente quando o exército retornou da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O clima mundial era de democracia, e então pressionaram para que Getúlio Vargas renunciasse. Ironicamente, após uma ditadura sustentada pelos militares, o primeiro presidente eleito pelo voto popular foi também um general do Exército: Eurico Gaspar Dutra (1883-1974).

 

Foram 19 anos de democracia, até que em 31 de março de 1964, novamente os militares instaurassem um novo período de governo militar. Foram cinco generais presidentes até 1985. E essa lista toda descrita acima não leva em consideração os vice-presidentes e militares que, mesmo não ocupando a chefia do Executivo, tiveram participação decisiva em alguns momentos históricos, como o General Henrique Teixeira Lott (1894-1984).

 

A História nos possibilita refletir sobre nossa sociedade. A intensa participação dos militares na política brasileira nos ajuda a compreender fenômenos como manifestações pedindo intervenção militar, declaração de apoio à ditadura e o crescimento exponencial do candidato Bolsonaro, que soube usar o prestígio que historicamente os militares desfrutaram na nossa sociedade ao seu favor.

 

Na posse de 2019, ouvimos os gritos de “o capitão chegou” entoados por quem assistia ao evento. Era o mesmo mote entoado pelos eleitores de Bolsonaro durante a campanha dele para a presidência. Assim, escrevemos mais um capítulo da História do Brasil: militares já ocuparam a presidência da República. Agora, pela primeira vez, um capitão.

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