O fenômeno das videoaulas

Por João Neto

25 de Nov de 2018

O fato de estudantes assistirem – e, às vezes, até preferirem - videoaulas no YouTube é um fenômeno atual. Há vídeos que ultrapassam 1 milhão de visualizações. Quando pergunto aos meus alunos o porquê dessas aulas causarem tanto fascínio, a principal resposta que geralmente recebo é que dizem ser mais fácil de entender.

 

No início, essa constatação pode revoltar alguns professores. Primeiro, porque alunos que se guiam por essa ferramenta escrevem muitas respostas erradas nas provas. Segundo, porque parte dos apresentadores é jovem com formação inferior à dos docentes. E muitos alunos questionam docentes bem preparados e experientes com base em informações equivocadas vindas de apresentadores novatos e com formação, às vezes, deficiente. Mas, não adianta reclamar. As videoaulas vieram para ficar. É melhor entendermos o fenômeno.

 

Penso que há, pelo menos, três motivos para o seu sucesso. O primeiro é que os alunos têm a sensação de que essas aulas são mais fáceis de serem entendidas porque eles as assistem depois que já tiveram o conteúdo na sala de aula. Muitas vezes, os estudantes não têm consciência que essa sensação de facilidade se dá porque estão diante de uma revisão, enquanto que, na sala de aula, o professor apresentou o conteúdo partindo do zero.

 

O segundo motivo é explicado por conceitos da sociologia, como o carisma e a distância. Os estudantes pensam que um famoso da internet que ele não conhece sabe mais que o professor que está próximo dele. Por fim, mas não menos importante, é a facilidade de comunicação entre aqueles youtubers que estão na mesma faixa etária dos adolescentes e, por isso, se fazem entender através de gírias.

 

Não adianta ver esse fenômeno como umas ameaça ou inimigo a ser combatido. Se o professor tentar concorrer com videoaulas de youtubers, querendo ser “legal” e “despojado”, e usar de gírias para se fazer entender, falhará no seu papel de educador, ao mesmo tempo em que será ridículo. Adolescentes não respeitam adultos que querem parecer adolescentes. Terá maior sucesso o professor que usar isso a favor de melhorar o aprendizado dos seus alunos. Eu, por exemplo, ao invés de passar um trabalho tradicional – como pedir um texto sobre um tema - prefiro que avaliem o conteúdo de uma determinada videoaula, corrigindo os possíveis erros encontrados na internet à luz do que está nos livros que recomendei.

 

O professor do século 21 não é mais um depositante de conteúdo em tábulas rasas. Seu papel agora também é ensinar seus alunos a navegarem em meio a tanta informação, sabendo como selecionar o que está correto e desprezar o que está equivocado. Se os professores ensinarem seus alunos a consumirem as videoaulas com senso crítico, elas podem se tornar uma excelente aliada como metodologia de ensino.

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