Os equívocos da Páscoa

Por João Neto

21 de Abr de 2019

Hoje se comemora a Páscoa. A ocasião, porém, ainda é motivo de muita confusão entre as pessoas. O primeiro equívoco é associar a Páscoa a uma festa exclusivamente cristã. Na verdade, a ideia de uma divindade ressuscitar é mais antiga. Osíris, deus cultuado no antigo Egito, teria ressuscitado após uma traição seguida de morte. O termo Páscoa vem da tradução do hebraico, Pessach, para o latim, Pascha, que significa travessia. Trata-se do evento celebrado pelos judeus que rememoram a condução do povo de Israel por Moisés na saída do Egito. A travessia do deserto e do Mar Vermelho. A sexta-feira santa, para os cristãos, é a memória da crucificação de Jesus, que aconteceu na data em que ele, como os demais judeus, comemorava essa festa. Dessa forma, para o cristianismo, a Páscoa é a crucificação e a morte de Jesus na sexta-feira santa, associada, pela data, com a festa da Páscoa judaica.

 

A segunda confusão é associar a Páscoa ao domingo. Jesus morreu na sexta-feira, que é a Páscoa. O domingo, na verdade, é a comemoração da ressurreição. Na Idade Média, a Igreja associou essa festa à mitologia anglo-saxã, que cultuava Ostera, deusa do renascimento, responsável pela Primavera. Por isso que, até hoje, Páscoa, em inglês, é Easter, e a ressurreição de Jesus é comemorada pelos cristãos no primeiro domingo após a chegada da Primavera no hemisfério norte. Ostera era representada segurando ovos em suas mãos, em alusão à fertilidade, tal qual a deusa romana Ceres.

 

A Páscoa também é comemorada por diferentes maneiras, por diferentes religiões, na atualidade. Mesmo aquelas que não acreditam em Jesus têm referências a períodos de renovação. Os muçulmanos, apesar de acreditarem na existência de Jesus como um profeta, não comemoram nenhuma data em alusão a ele, nem acreditam em sua ressurreição. Eles comemoram outras datas, como o nascimento de Maomé. Das religiões de matriz africana, parte da umbanda – diferente do candomblé – reserva, a seu modo, uma celebração para lembrar-se de Jesus nessa época.

 

Apesar da ressurreição de Jesus ser um tema central para todos os cristãos, ela não é comemorada da mesma forma por todos. Os cristãos ortodoxos, por exemplo, que seguem outro calendário, comemoram a Páscoa em data diferente. Independentemente de acreditar ou não - isso depende da religião de cada um – essa amplitude de informações sobre a Páscoa é um convite à sociedade para refletir sobre a intolerância de nossos dias. Há sempre algo de novo a aprender. Por isso, aprendamos a conviver com a fé diferente.

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