Os erros do PSDB nacional

Por João Neto

03 de Nov de 2018

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Tasso Jereissati afirmou que foi um grande erro o PSDB ter entrado no governo Temer. Disse que o PSDB foi engolido pela tentação do poder. Não foi só o PSDB que errou. Todos erraram e, por isso, o Brasil entrou em uma crise profunda.

 

Em 2014, o PT errou ao insistir na reeleição da Dilma, e o PSDB errou ao lançar Aécio Neves candidato. Faltou ao PT perceber que Dilma não tinha perfil para presidir o país. Faltou ao PSDB lançar um candidato mais habilidoso. Uma disputa entre Lula e Alckmin teria oferecido ao Brasil, com a vitória de um deles, um governo melhor do que foi o segundo mandato de Dilma Rousseff.

 

Se o PT tivesse perdido o pleito de 2014 para Aécio Neves, teria sido ótimo para o PT. A crise econômica, até então mascarada, teria aparecido no governo do PSDB, e o PT, na oposição, voltaria como mocinho em 2018. Mas a Dilma ganhou. Não conseguiu mais mascarar os índices econômicos negativos e não conseguiu reverter o quadro a tempo.

 

Tivesse o PSDB, ainda assim, deixado ela concluir o mandato, teriam ótimos argumentos para ganhar a eleição agora. Seria uma alternativa sem manchas. Mas, não aguentaram esperar. Já diria o ditado: o apressado come cru. Apostaram no impeachment e no apoio ao vice-presidente Temer e mergulharam com ele na falta de popularidade e aprovação.

 

Tasso Jereissati admitiu uma série de erros: primeiro, questionar o resultado eleitoral. O segundo, votar contra a economia do país só para ser oposição. O terceiro, apoiar o impeachment. O quarto, os escândalos de corrupção envolvendo o partido e, principalmente, o Aécio Neves.

 

Então, eu acrescentaria aqui o quinto grande erro do PSDB nacional: o PSDB erra em só enxergar São Paulo e Minas Gerais e ignorar potenciais de outros estados. Ainda vivem a política do Café com Leite, que prevaleceu no Brasil entre 1894 e 1930. Marconi Perillo, quatro vezes governador de Goiás, tentou. Os escândalos envolvendo Perillo não servem de desculpa, pois não tinham sido revelados antes da convenção tucana. Arthur Virgílio, prefeito de Manaus, tentou. Tivessem esperado a Dilma concluir o mandato, e lançassem agora um nome forte de outro estado, inclusive aqui de Goiás, talvez não tivessem amargado o quarto lugar nas eleições de 2018.

 

Depois da vergonhosa baixa votação no primeiro turno, o PSDB nacional terá que se reinventar para não desaparecer. E não adianta esperar as eleições de 2022 para o próximo candidato - leia-se João Doria - colocar um chapéu de cangaceiro esperando, com isso, ganhar votos no Nordeste. Essa reinvenção, necessariamente, terá que enxergar o Brasil, desde agora, para além da região Sudeste.

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