Os Cem Anos da Semana de Arte Moderna de 1922:
a rebeldia que mudou a arte no Brasil

Laura Macêdo*

13 de Fev de 2022

Grande parte dos intelectuais e artistas que representaram o Modernismo no Brasil viveram na Europa no período pós Primeira Guerra Mundial e, dessa experiência, absorveram ideias e técnicas que resultaram no Modernismo Brasileiro. Sendo assim, toda a efervescência que marcou o início do século XX na Europa chega ao Brasil como um momento de renovação e busca por produzir um novo modelo de arte que fosse preocupado com questões de ordem social.  No entanto, não era uma cópia do que se via na Europa, mas sim uma arte própria, autêntica e original.

 

Outrossim, com o início das vanguardas brasileiras e o retorno dos artistas ao Brasil, o movimento foi ganhando vida e a necessidade de realizar eventos para difundir as novas ideias se tornou uma preocupação dos artistas. Nesse contexto, ocorre a Semana de Arte Moderna em 1922, programada para comemorar o Centenário da Independência – foi justo esse centenário que fomentou os organizadores, que queriam se desprender das antigas formas artísticas, buscando desenvolver um estilo mais livre que renovasse a criatividade da arte no país. Considerada um marco do Modernismo no país e na América-Latina, o evento contou com recitais de poesia, concertos musicais e abriu portas para uma nova linguagem artística em relação aos diferentes tipos de arte, como pintura, poesia e literatura.

 

 

 

 

Cartaz de Di Cavalcanti para representar a Semana de Arte Moderna de 1922.

Disponível em: G1 São Paulo

O Theatro Municipal de São Paulo foi palco para as apresentações entre os dias 13 e 18 de fevereiro. As excêntricas exposições tinham como objetivo principal revisar e criar novos projetos culturais a partir da construção de um nacionalismo pós Primeira Guerra Mundial e pós consolidação da industrialização, sobretudo em São Paulo. Apesar do banho de influências das vanguardas europeias e da onda de renovação da arte no Ocidente, o foco era se fortalecer num movimento, agora organizado, para redescobrir e escrever uma história artística brasileira desprendida dos moldes europeus.

 

Essa semana de arte, evidentemente, foi deveras polêmica. Desapegada de tudo o que já foi apresentado no país, transmitia um ideal “futurista”, com suas maiores influências no Expressionismo, Pontilhismo e no Cubismo; o importante era escrever uma nova história da arte brasileira, sobretudo refutando as formalidades da arte acadêmica. Pode-se afirmar que o evento foi, de longe, um divisor de águas, pois os artistas cumpriram com o compromisso de expressar nas obras a ideia de liberdade na produção e na pesquisa plástica, além de firmar o florescimento intelectual artístico brasileiro. Rebeldia, revolução, seriedade... de tudo o que se esperava, após 100 anos se fez cumprir: a Semana de 22 é um marco na fundação de uma consciência criadora nacional e na manutenção dos estudos da arte no Brasil.

*Laura Macêdo é professora, Graduanda em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e criadora de conteúdo digital no Instagram: @histlauramacedo e @acessohistória

 

Referências

 

AJZENBERG, Elza. A Semana de Arte Moderna de 1922. Revista Cultura e Extensão, USP, Vol. 7, p. 25-28.

AMARAL, Aracy, O modernismo brasileiro e o contexto cultural dos anos 20. Revista USP. São Paulo, n. 94, p. 9-18, jun./ago. 2012.

BARBOSA, Ana Mae. Arte Educação no Brasil: do modernismo ao pós-modernismo. Revista Digital Art& - Número 0 - Outubro de 2003. Disponível em: www.revista.art.br/site-numero-00/anamae.htm.

CAPELATO, Maria Helena Rolim. Modernismo latino-americano e construção de identidades através da pintura. Revista de História. São Paulo, vol. 153, n. 2, 2005, p. 251-282.

 

 

 

 

 

 

 

 

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