Servidor público não é bicho papão

Por João Neto

02 de Nov de 2018

O momento é de exaltação do Estado mínimo, como se as empresas privadas fossem perfeitas, isentas de corrupção e totalmente eficientes. Para promover essa desvalorização do Estado, generalizou-se a máxima de que funcionário público é preguiçoso e não trabalha direito. A realidade, porém, não é bem assim. É preciso uma reflexão.

 

Em primeiro lugar, as empresas privadas também têm funcionários que deixam a desejar. Quem nunca foi mal atendido em uma loja? Quem nunca ficou horas na fila de um supermercado? Quem nunca se estressou ao ligar para o SAC de uma determinada empresa e não ver seu problema resolvido? Quem nunca comprou um produto com defeito e teve muita dificuldade para trocá-lo? Quem nunca abasteceu o carro com gasolina adulterada? Quem nunca teve uma mala estragada ou extraviada pela companhia aérea? E os altos juros e taxas exorbitantes dos bancos privados? Quais são as empresas mais reclamadas nos órgãos de defesa dos consumidores?

 

Em segundo lugar, as empresas públicas têm funcionários que são excelentes. Primeiro porque os concursos públicos são concorridos e, por isso, fazem uma seleção criteriosa. Em segundo lugar, a maior parte dos funcionários públicos já começa motivada. Os medíocres que pensam em fazer concurso para não trabalhar direito são os que geralmente não passam. Salvo exceções, os que passam ficam felizes com isso e querem contribuir com a sociedade. Principalmente na área da saúde e da educação, em que o servidor faz o que ama e escolheu aquela área por vocação. As melhores universidades brasileiras nos rankings internacionais, por exemplo, são as públicas. Seja vacina, remédio ou tecnologia de última geração, são servidores públicos que fazem pesquisa de ponta que melhoram a vida do País.

 

O problema não é ser servidor público. O problema é que, tanto na iniciativa privada, quanto no Estado, à medida que um funcionário vai sofrendo injustiças do sistema, ele vai desmotivando. Todo ser humano tem necessidade de ter seu esforço reconhecido. Cada vez que um funcionário competente vê o bajulador sendo promovido na sua frente, ele vai perdendo a vontade de dedicar-se com empenho.

Quanto mais autoritário um sistema de administração, em qualquer ramo, mais desmotivação ele gera entre sua equipe.

 

Quanto mais participação dos funcionários nas decisões, mais eles serão motivados. Por isso, não é a privatização que irá resolver a questão da eficiência. É preciso criar metodologias justas que reconheça, valorize e promova o esforço do funcionário competente. E isso tanto na iniciativa pública, quanto na iniciativa privada.

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